HD x SSD - Solid State Drive

HD x SSD - Solid State Drive

Sherman Black, um vice-presidente sênior na Seagate Technology, uma das empresas líderes na produção de discos rígidos, passa noites em claro preocupado com o fato de que seus filhos adolescentes são parte de uma nova geração de usuários de computador, que não se importam se seus dados são armazenados localmente ou na “nuvem” que é a internet.
É um fato importante para a indústria dos discos rígidos, porque um número cada vez maior de consumidores aguarda ansiosamente uma nova onda de discos de estado sólido (SSD – Solid State Drive). Feitos com conjuntos de chips de memória flash, mesma tecnologia usada em pendrives, estes novos “discos” são menores e muitas vezes mais rápidos que os discos rígidos tradicionais, que gravam magneticamente 1s e 0s em um disco (ou “prato”) giratório.
Eles são, claro, mais caros. Mas pequenos discos de estado sólido de 2, 4 ou 16 gigabytes já são componentes padrão nos populares “netbooks” vendidos por empresas como a Dell, Hewlett-Packard, ASUS e outras, e um modelo de 128 gigabytes é vendido pela Apple por US$ 500 como um upgrade para o MacBook Air.
Esta mudança na tecnologia de armazenamento de dados é possível por causa do aumento no uso de chips de memória flash. Eles são onipresentes em dispositivos portáteis como câmeras digitais e MP3 Players. O outro motivo é que estes discos de estado sólido (assim chamados porque, ao contrário dos discos magnéticos, não tem partes móveis) estão sendo projetados para ocupar o mesmo nicho nos laptops atualmente ocupado pelos tradicionais HDs de 1.8 e 2.5 polegadas, que são padrão na indústria.
Há muitos benefícios nesta nova tecnologia, entre eles o fato de que os chips não fazem barulho, emitem pouco calor e consomem muito menos energia, ao mesmo tempo em que transferem dados com velocidade muitas vezes superior à de um disco rígido convencional.
Claro, também há desvantagens. Embora os discos de estado sólido possam ler informações mais rapidamente do que um disco rígido, alguns modelos gravam as informações mais lentamente. Isto significa que, no geral, comparativos de desempenho podem depender do design de um fabricante em particular ou da execução de um aplicativo específico ou de um certo perfil de uso. Também há grandes diferenças de qualidade dentro do mercado de estado sólido, e podem haver diferenças extremas entre os discos no número de vezes em que os dados podem ser gravados, ou seja, em sua vida útil. Como os transistores individuais que compõem um chip de memória flash podem falhar ao longo do tempo, eles vem com “áreas de reserva” que podem ser ativadas automaticamente caso necessário e usadas como um estepe. Analisando as opiniões em sites de comércio eletrônico como Amazon.com e Buy.com, podemos ver que o nível de satisfação do consumidor com a nova tecnologia varia muito – de “impressionado” a “realmente frustrado”. Deficiências à parte, um disco de estado sólido corretamente projetado pode fazer um mundo de diferença. O sistema operacional carrega em poucos segundos, e a mudança pode adicionar cerca de 30 minutos de autonomia extra à bateria de um laptop comum.
A ânsia por velocidade no mercado de laptops está sendo satisfeita por mais de 40 fabricantes, incluindo gigantes da indústria de chips como a Intel, Samsung e Toshiba. A capacidade de armazenamento saltou para os 256 gigabytes (e a Toshiba anunciou 512 GB para 2009), embora atualmente a um preço exorbitante. Um disco com esta capacidade, produzido pela Axiom, é vendido online por algo entre US$ 7.426 a US$ 9.125. Mas os preços, entretanto, estão despencando.
Por exemplo, já é possível comprar um disco interno de 2.5 polegadas e capacidade de 128 GB em uma revenda como a OCZ por apenas US$ 299. Embora este preço possa ser o dobro do de um disco rígido tradicional de capacidade equivalente, a combinação de maior velocidade, menor consumo de energia e menor geração de calor – e o potencial aumento na confiabilidade – são sedutores. Um disco destes não é mais apenas para executivos que vivem na estrada e procuram uma máquina “sexy” como o ultraportátil MacBook Air (um disco de estado sólido de 64 GB para o Air custava US$ 999 quando a máquina foi lançada, em Janeiro). Agora ele pode ser considerado até como um upgrade para aquele seu laptop “velho de guerra”. E no ano que vem, quando os discos de estado sólido de 128 GB estiverem ainda mais em conta, serão oferecidos pelos fabricantes de laptops como um extra a preços muito mais razoáveis.
Além de participar do mercado de laptops “topo de linha” e como uma opção de upgrade, discos de estado sólido também arrebataram o mercado dos “netbooks”, portáteis com telas de 10 polegadas ou menos vendidos por preços entre US$ 300 e US$ 600 que se tornaram uma febre nos últimos meses. Estas máquinas às vezes vem com apenas 2 GB de espaço em disco, ajudando a fomentar a nova geração da “computação nas nuvens” na qual Sherman Black, da Seagate, está tão interessado. “Acho que eles não se importam em ter seus dados com eles”, diz Black sobre esta nova geração de usuários de informática, como seus filhos adolescentes. “Eles acreditam que a “nuvem” estará sempre acessível”.
Fabricantes de notebooks estão facilitando a tarefa de trocar os discos, o que torna a idéia de um “upgrade” ainda mais tentadora. Vire um dos novos MacBooks da Apple e uma única abre um compartimento que revela um disco rígido preso por um único parafuso.
Eu já havia substituído o disco de 250 GB do MacBook por um modelo mais rápido de 300 GB de Hitachi, pelo qual paguei apenas US$ 99. Entretanto, a fim de testar a velocidade dos novos discos de estado sólido, escolhi o modelo X25-M SATA, da Intel, como capacidade de 80 GB. Este disco é caro, cerca de US$ 540 na internet, mas tem alto desempenho e uma garantia de três anos. Trocar os discos foi fácil, demorou menos de um minuto. A parte complicada foi clonar todos os programas e dados do HD Hitachi para o modelo da Intel antes de fazer a troca.
Para isso eu usei um outro periférico – um “berço” USB para HDs feito pela Thermaltake. Basta encaixar o novo disco neste acessório e conectá-lo ao PC usando um cabo USB. Você pode, então, copiar todo seu software e dados de um disco para o outro. É algo que leva tempo, com certeza, mais muitos programas de backup tornam o procedimento mais fácil. Eu usei o SuperDuper! um utilitário para Mac feito pela “Shirt Pocket” que custa US$ 28.
A operação foi simplificada porque eu tinha particionado (dividido) meu HD da Hitachi em duas áreas: uma para trabalhar e outra para música, vídeo e imagens. Esta divisão sugere o que pode se tornar um possível padrão de uso entre os usuários domésticos no futuro: um laptop com um rápido disco interno de estado sólido e um disco rígido externo de alta capacidade para armazenar multimídia e outros arquivos grandes.
Os resultados da mudança foram impressionantes. Usando uma ferramenta padrão de medição de desempenho para Macs, como o Xbench, comprovei que o disco de estado sólido da Intel aumentou o desempenho geral da máquina em quase 50%. O desempenho no acesso ao disco aumentou em cinco vezes. O computador iniciava mais rápido, e os aplicativos pareciam abrir quase que instantaneamente. O computador definitivamente ficou mais silencioso: o barulhinho do disco rígido em funcionamento desapareceu.
Discos de estado sólido são obviamente um nicho em expansão no mundo dos notebooks. Ainda assim, não há motivo aparente para chorar a morte dos fabricantes de discos rígidos. A explosão na quantidade de dados digitais é tão grande que mesmo que os discos de nossos notebooks se tornem menores, ainda teremos que manter nossos dados em algum lugar.
“Na verdade, durmo melhor sempre que ouço falar de alguém que comprou um destes netbooks”, diz Black. Sua empresa, a Seagate, está focando parte de seus negócios em discos para grandes data-centers corporativos. “Sei que todos estes dados serão armazenados “na nuvem”, e eventualmente em um de nossos discos”.

John Markoff / NY Times
Fonte:http://tecnologia.ig.com.br/

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